Triboulet: o bobo da corte que enganou a morte com uma piada
Em um certo dia tumultuado na corte francesa, Triboulet, o bobo da corte mais famoso da história, correu até o rei em pânico. Alegava que um nobre ameaçava espancá-lo até a morte. Sem perder a compostura, o rei respondeu com firmeza:
“Não tema, esse homem será enforcado em quinze minutos se ousar encostar um dedo em você.”
Foi então que Triboulet, com seu humor afiado, retrucou:
“Oh, senhor! Não poderia adiantar isso em um quarto de hora?”
Esse tipo de ousadia era típico de Triboulet — um humorista brilhante, mas sempre no fio da navalha. E numa ocasião ainda mais arriscada, ele quase selou seu destino de forma trágica.
Após uma de suas performances, enquanto esperava os aplausos da corte, Triboulet teve a ideia (péssima, diga-se) de dar um tapinha nas costas do rei Francisco I. O gesto foi mal recebido, e o monarca ficou furioso. Decidido a executá-lo, o rei ainda ofereceu a Triboulet a chance de se redimir com um pedido de desculpas.
A resposta veio rápida e, como sempre, inesperada:
“Perdoe-me, Majestade. Eu o confundi com a Rainha!”
O salão congelou. A rainha era intocável — até para piadas — e Francisco I não gostou nem um pouco. A decisão parecia tomada: o bobo da corte seria executado.
Mas, em reconhecimento por seus anos de serviços e risadas, o rei concedeu a Triboulet um último privilégio: ele poderia escolher como queria morrer.
Foi então que o bobo brilhou uma última vez:
“Bom senhor, pelo bem de São Nitouche e São Pansard, patronos da insanidade, escolho morrer… de velhice.”
A corte caiu na gargalhada — e o rei também. Diante de tamanha astúcia, Francisco I decidiu poupar a vida de Triboulet. Em vez da execução, ele foi banido da corte.
Uma punição leve para quem, com uma piada, conseguiu escapar da morte.

Comentários
Postar um comentário